quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobre poetas vagabundos que me falam de amor (Parte I)



Os poetas inquietaram meu sossego!
Roubaram minha fome de nada,
E, por hora, intentam contra aquilo que mais temo:
O medo de perder o medo.
Querem que me lance de paraquedas,
sem paraquedas,
Só pra sentir cócegas no estômago...
Ah, estes poetas!
Vão dormir!
Parem de me falar pelas estrelas,
Parem de querer me enlouquecer.
Que razão há no que eu digo?
Já nem sei porque falo com vocês,
Nem porque os escuto...
Talvez por medo de nunca perder o medo.
Eu pulo muros, subo em árvores,
Piso em brasas, entro na jaula dos leões,
Viajo nos balões de gás.
Mas, amar, meu caro, é coisa demais!
Amar é coisa perigosa.
Só os que tem coragem fazem isso.
E eu sou muito medrosa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Antes do fim do mundo


Hoje é um dia feliz.
É teu sepultamento.
Leia pausadamente:
Eu não te quero mais!
Pensei que nunca diria isso
Com a verdade que digo agora.
Mas chegou a sua hora:
Adeus, pra sempre!
Vai em paz!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais amor, por favor!


O que você ganha
Quando julga, condena ou aponta o outro?
O que somos, senão, tão passíveis de erros quanto?
O que você ganha
Quando um pobre apanha?
Não sente sua dor, não te comoves, não te estranhas?
O que você ganha tendo mais que o irmão?
Um lugar melhor no céu, se vão tudo pro mesmo chão?
O que você ganha com tanta intolerância, tanta indiferença?
Não há maior violência do que deixar faltar:
Na mente, o saber. Na mesa, o pão. No peito, o amor e a indignação.
Faço então a minha oração: menos vitórias e derrotas.
Menos corridas e competição.
Faz favor, por amor! Mais amor, por favor!

Sobre o que importa


Nós somos irmãos. E mal conseguimos conversar. Em menos de 20 minutos, os nossos ideias se sobressaem. Você fala dos dogmas, das regras, do certo. Eu falo de política, de transgressão, contramão. E nos deixamos, então. Não desfrutamos das risadas, da camaradagem, dos caminhos. Você defende as paredes. E eu digo que as paredes estão podres, mas, infelizmente não estão mortas. As paredes vivem e te prendem. Creio que chegará o dia em que estaremos do mesmo lado, sem lado nenhum, como um, vivendo o mesmo mundo. O mundo novo. Aquele que Cristo tanto falou: Onde reine nos corações, o amor. E somente o amor. Não o amor de doações de brinquedos e comida no Natal. Não o amor das trocas de presentes. Não o amor líquido das liquidações que duram uma noite, dois dias ou o tempo que dura a serventia de alguém na sua vida. Falo do amor que não existe na desigualdade. O amor que não alcançamos ainda. O amor que desfaz as armaduras, nos deixa nus e livres. É o amor que importa. O resto não importa. Amar é preciso...




domingo, 25 de novembro de 2012

Juazeiro humano do sertão


O poeta Antônio diz
Que é de ficar admirado,
Passar pelo sertão tão seco
E ver o juazeiro copado.
Símbolo da resistência
Do nosso semiárido.

Eu digo que mais resistente ainda
É o camponês dedicado
Faça chuva ou só faça sol
Não descuida do seu roçado.
Ama sua terra, sua lida,
A vida simples que é acostumado.

Ainda assim, há quem diga
Que o homem do campo
É um pobre coitado.
Sem saber da alegria
Que é fazer brotar a vida
Como fruto de seu trabalho.

Seu Carlinhos fala valente:
“Aquele pé de goiaba,
o de siriguela, acerola e limão,
Nós regou com suor, nós plantou com nossa mão.
Agora não dão valor ao que eu faço
E querem tirar o meu chão!”

Dona Ica fala mesmo:
“Da minha casa eu não saio, não!
Daqui eu só saio arrastada!
Se a sorte está lançada,
Seja qual for o meu quinhão,
Ao projeto do DNOCS, eu digo não!”

Resiste o homem do campo
Mantém firme a sua fé
Porque “Antes de tudo, um forte”
Sabe o valor que é
Ser contra a exploração e a morte
E pela vida se manter de pé!

Sendo os agricultores
O juazeiro humano do sertão
Façamos também nós, a defesa
Perante a tentativa de extinção
No território camponês,
Agronegócio não põe a mão!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os homens de papel


Os homens de papel
Não podem se molhar
na chuva santa que cai do ceú,
nem nas ondas brandas do mar.

Os homens de papel
assinam, carimbam,
preenchem e reconhecem firma.
Mas não podemos olhar nos seus olhos,
nem confiar em suas rimas.

Os homens de papel
não sorriem, nem choram.
Só acreditam no que podem tocar...

"Se o essencial é invisível aos olhos",
Infelizes dos homens de papel
E de suas vidas desfeitas no ar.


E no meio de tanta gente...


E no meio de tanta gente,
Esse teu quase rir, menino,
Me abriu caminhos florais.
De uma manhã rompendo pulsante
As noites de meus dias iguais.
Esse teu frescor, meu rapaz,
Trouxe de novo a vontade de ser mais
Bailarina, andarilha, menina, mulher.
Me faz bem e mal sabe o bem que me faz.
E no meio de tantas gentes iguais
Esse teu meio riso
Desperta um sentimento fugaz:
De ver o sol se pondo no cais,
De experimentar teu riso inteiro,
E tentar um pouco de paz.





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Essencial


Areia.
Pé.
Uma coisa só.
Areia, pé,
Água e sal.
Sol.
Abraço substancial.
Encontro cósmico,
Essencial:
Areia, pé, água, sol e sal.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Madrugada


Eu quero um cigarro,
Eu quero o ócio.
Ver a sombra cinza se espalhar no escuro
Enquanto o pensamento se desfaz.
Eu quero não escrever uma linha a mais.
Um gole de cerveja, uma dose de paz.
Posar na janela.
Esperar que alguém me veja.
Pensar em nada que não seja
A música que a noite toca
Na ponta de cada estrela,
No céu da minha boca
Que engole sonhos
E devolve uma justa ira ao ar...
Que vida!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Meu bem


Oi, meu bem!
Já nem sei se te chamo assim
Como chamo a qualquer um
Que chega de manso em mim.

Oi, meu bem!
Teu lugar na minha cama esfriou
Hoje nem sei mais se estou
Tão disposta a fazer amor.

É, meu bem!
Me parece que o tempo passou
Que o que havia entre nós, caducou
E se esqueceu de nos avisar...

Ó, todo o bem no mundo não há
De sobreviver à ingratidão
Fica o medo de se entregar.

Bem, creio que já posso falar
Desconfio que o coração, sofrido...
Tenha desaprendido a amar.