terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ode à Hipocrisia


A hipocrisia é uma maldita
Bem vestida e recatada.
Fala pelas costas quando não deve,
E quando tem que falar, fica calada.

Os hipócritas batem palmas
Aos discursos do jornal.
Apoiam todos os julgamentos.
Dão vivas aos bons costumes, à boa moral!

A hipocrisia é veneno que escorre
Da boca refém da aparência:
Sorri um sorriso amarelo,
E chora por conveniência.

É, assim,  uma terrível doença
Que se alastra de forma fatal:
Mata a justiça e a caridade
É a porta de toda mal.

A hipocrisia é falsa vida.
É a cartilha que nos oprime.
Só quando caírem todas as máscaras
É que seremos homens e mulheres livres!

A pausa e o pouso


Parei tudo o que estava fazendo.
Vi que o passarinho pousou.
Não é que, de repente, o céu ficou mais azul?!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

À caminho


Onde você mora
Tem o céu donde vejo a lua
Que de vontade, me devora:
De ter os seus carinhos,
De te ver dormindo,
De te ter a toda hora.

Teu país precisa de ti,
O meu país me adora.
Como fazer para esbarrar nossos desejos
Na longa estrada que nos separa?

Quando alguém nos quer bem
Não se pensa em demoras,
Adiantam-se as horas
Do encontro dos lábios,
Dos átrios, das catedrais em nós
Com pressa de ficarmos sós e de nos proteger
Da distância, da solidão, da falta de amor
E do caminho que se tem de percorrer.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval


Eu quero é que meu corpo queime.
E em chamas eu faça o mundo todo arder
De alegria, de amor e de prazer!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Las noches que no volverán



Esta noche no tiene sus ojos
No tiene su pelo, su sonrisa, sus manos ...
Esta noche no tiene el tango y ni la cerveza
Ni los mimos en la cabeza.
En la cama, la soledad.
Esta noche tendrá, si, ganas
De estar a cerca, estar dentro, transmutación:
La piel, el sudor y el desfrute,
De tocar cada parte
De los recuerdos que dejaste en mi cuerpo,
Pidiendo a quedar en mi corazón.

...........................................

Esta noite não tem seus olhos
Nem seu cabelo, seu sorriso, suas mãos...
Esta noite não tem tango e cerveja,
Nem mimos na cabeça.
Na cama, a solidão.
Esta noite tem vontade
De estar perto, estar dentro, transmutação:
De pele, suor e gozo,
De te tocar em cada vão
Das lembranças que deixastes em meu corpo,
Pedindo pra ficar em meu coração.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Pássaros e amor


Depois de dormir com o medo,
Tive sonhos bonitos.
Então acordei ouvindo barulhinhos esquisitos.
Diz um amigo meu que o amor é feito passarinho.
Vem todo dia de manhã.
Canta, assim, um pouquinho.
Cantando, vai fazendo ninho.
E quando a gente vê, tá esperando o bichinho.
E quando a gente já não vê, tá cantando a mesma canção.
Astucioso é o amor que dribla o medo.
Corajoso é o coração que abriga o amor que chega em segredo.
Não por mérito da cegueira da paixão,
Nem por medo da solidão, ou por ouvir pássaros cantar.
O homem de verdade é aquele que decide e consegue amar.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobre poetas vagabundos que me falam de amor (Parte I)



Os poetas inquietaram meu sossego!
Roubaram minha fome de nada,
E, por hora, intentam contra aquilo que mais temo:
O medo de perder o medo.
Querem que me lance de paraquedas,
sem paraquedas,
Só pra sentir cócegas no estômago...
Ah, estes poetas!
Vão dormir!
Parem de me falar pelas estrelas,
Parem de querer me enlouquecer.
Que razão há no que eu digo?
Já nem sei porque falo com vocês,
Nem porque os escuto...
Talvez por medo de nunca perder o medo.
Eu pulo muros, subo em árvores,
Piso em brasas, entro na jaula dos leões,
Viajo nos balões de gás.
Mas, amar, meu caro, é coisa demais!
Amar é coisa perigosa.
Só os que tem coragem fazem isso.
E eu sou muito medrosa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Antes do fim do mundo


Hoje é um dia feliz.
É teu sepultamento.
Leia pausadamente:
Eu não te quero mais!
Pensei que nunca diria isso
Com a verdade que digo agora.
Mas chegou a sua hora:
Adeus, pra sempre!
Vai em paz!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais amor, por favor!


O que você ganha
Quando julga, condena ou aponta o outro?
O que somos, senão, tão passíveis de erros quanto?
O que você ganha
Quando um pobre apanha?
Não sente sua dor, não te comoves, não te estranhas?
O que você ganha tendo mais que o irmão?
Um lugar melhor no céu, se vão tudo pro mesmo chão?
O que você ganha com tanta intolerância, tanta indiferença?
Não há maior violência do que deixar faltar:
Na mente, o saber. Na mesa, o pão. No peito, o amor e a indignação.
Faço então a minha oração: menos vitórias e derrotas.
Menos corridas e competição.
Faz favor, por amor! Mais amor, por favor!

Sobre o que importa


Nós somos irmãos. E mal conseguimos conversar. Em menos de 20 minutos, os nossos ideias se sobressaem. Você fala dos dogmas, das regras, do certo. Eu falo de política, de transgressão, contramão. E nos deixamos, então. Não desfrutamos das risadas, da camaradagem, dos caminhos. Você defende as paredes. E eu digo que as paredes estão podres, mas, infelizmente não estão mortas. As paredes vivem e te prendem. Creio que chegará o dia em que estaremos do mesmo lado, sem lado nenhum, como um, vivendo o mesmo mundo. O mundo novo. Aquele que Cristo tanto falou: Onde reine nos corações, o amor. E somente o amor. Não o amor de doações de brinquedos e comida no Natal. Não o amor das trocas de presentes. Não o amor líquido das liquidações que duram uma noite, dois dias ou o tempo que dura a serventia de alguém na sua vida. Falo do amor que não existe na desigualdade. O amor que não alcançamos ainda. O amor que desfaz as armaduras, nos deixa nus e livres. É o amor que importa. O resto não importa. Amar é preciso...