quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Meu bem


Oi, meu bem!
Já nem sei se te chamo assim
Como chamo a qualquer um
Que chega de manso em mim.

Oi, meu bem!
Teu lugar na minha cama esfriou
Hoje nem sei mais se estou
Tão disposta a fazer amor.

É, meu bem!
Me parece que o tempo passou
Que o que havia entre nós, caducou
E se esqueceu de nos avisar...

Ó, todo o bem no mundo não há
De sobreviver à ingratidão
Fica o medo de se entregar.

Bem, creio que já posso falar
Desconfio que o coração, sofrido...
Tenha desaprendido a amar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Come on


7 e 8 e... Venha, vamos lá!
Aperto o play e me jogo no chão com a Janis.
Pedaços do meu coração por toda parte, blues!
Seguindo assim o som do sangue que jorra
Dos sonhos jogados fora
Dessa que não sabe ser diferente!
Pedaços do meu coração por toda parte, blues!
Não me importa quantas vezes ele será quebrado
[quantas vezes eu puder]
Farei uma canção para dizê-lo
E estarei pronta para quebrá-lo novamente!

Coisa de palavra

Palavra não se reprime.
Palavras são vasilhames de nós
Vogais e consoantes de nós.
Mas quando dizê-la significa
espalha-las ao vento,
penso que é melhor tê-las
como estrelas de um poema.
Porque ser vento no coração
de quem não é capaz de ouvir as estrelas,
não é coisa de palavra

domingo, 5 de agosto de 2012

Pronome singular


Eu quero mais.
Tu és quem mandas.
Ele é quem faz.
Vós dizeis o que desejais.
Eles obedecerão sem questionar.
Que pronome falta conjugar?
Somente o nós.
Não os nós do individualismo
e da opressão,
da falta de consciência
e de mobilização.
Mas, o nós.
Pronome singular.
Porque só quando nós formos por nós
É que ninguém poderá contra nós.
E o povo prevalecerá!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sobre dormir ou viver


Eu não posso dormir.
Não, agora!
Pois a hora de dormir
É quando não mais se chora.
E eu só saio daqui quando for a hora:
Ocupar e resistir!
No máximo descansar o corpo,
Mas a alma, não!
Esta, vigora!
Sonha luta,
Acredita luta,
Respira luta,
Vive a luta!
E me saberei vivo,
Quando estiver sem forças.
E recuperarei as forças,
Se me manter vivo.
Eu não vou dormir agora.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Saudade sentida


Os meus olhos fechados
Vêem seus olhos pequenos me vendo
Janelas donde eu via o mundo mais colorido,
Donde a lágrima, agora, vai c a i n d o...
Na minha boca, que sente o doce do teu beijo
em meus lábios tão ressequidos
pelo adeus que não demos.
E os meus ouvidos me enganam,
de ouvir sua voz rouca
e as suas risadas das minhas coisas bobas!
O seu cheiro ainda tem na minha roupa,
na rua, no livro que me deu.
As minhas mãos encontram as suas e eu...não!
Não são as suas mãos.
Não ter o teu colo, teu bem, meu bem,
É por nenhum outro colo e bem me contentar
Saudade sentida é, então, aguçar os sentidos
para ter por perto quem não está.

domingo, 22 de julho de 2012

Eu, ligo o meu raidinho
E danço de rosto coladinho
Com o sorriso miudinho
Os ollhinhos fechadinhos
Passinho por passinho
Você não passa mais!
Vai ficando e ficando
Me deixando pianinho.
Vai assim, devagarinho,
Ganhando todo o meu carinho,
O meu mais doce beijinho
Quando me desperta nas manhãs.
A música toca o dia todinho,
todinhas as horas,
Bem aqui no meu raidinho
Aí eu vou de pouquinho em pouqinho
Juntando todos os inhos...
Quem sabe o fim de uma canção?
Quem sabe, meu rapaz?
Vou cantando bem baixinho
No seu ouvidinho
O tum tum que meu coração faz
Se colar no seu raidinho
A gente dança um pouco mais.

domingo, 24 de junho de 2012

Ser passáro


Quando tudo me pesa,
e a vida não passa
de um simples passar de horas,
Encontro sentido na caixa do peito.
Uma música toca.
E me conta das asas que tenho.
Minha alma se desprende do corpo
e se faz livre.
E tudo me pertence.
Porque tudo me é:
Árvores, céu, mar, o dom de voar!
E não há como não ser leve.
Não invejo os pássaros,
porque sou um deles.

sábado, 23 de junho de 2012

Os poemas que não faço.


Morreram todos os poemas.
Sobrevive esta carcaça
E seu arrastar de dilemas,
teoremas e conspirações.
Beijo porque tenho boca.
Danço porque o corpo obedece o compasso.
As pessoas julgam o meu sorriso
E pensam que eu sou de aço.
Resta em mim, a boemia,
O culto a todas as coisas que passam.
Fica em mim, então, a poesia
Dos poemas que não faço.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Carta de adeus

Do fundo do meu coração: Não volte mais pra mim. Acabe com essa droga de uma vez! Não volte nunca mais... (Do fundo do meu coração - Adriana Calcanhoto) Hoje deu vontade de te escrever. Despejar meus rios em papel. Deixar que caia cada lágrima que tenho guardado - borrando o pretume dos olhos e o vermelho do batom. Guardar essa imagem. E lembrar tudo que você me fez. Que é pra ver se construo um manual de erros que cometo toda vez que penso que você pode voltar. Estupidez! Quem foi não volta! Quem fica deve ir também. Eu poderia escrever sobre o que de bom está em minha volta. Mas hoje eu preciso cuspir na sua cara. Te desejar bem longe de mim. Nestas linhas, toda a minha sensatez. Covardia não me convém. E nem sei eu agir de má fé. É sim, meu coração frágil demais. Vá embora de uma vez, se não é capaz de vencer o mundo por mim. Um dia eu estive em suas mãos e o meu bem mais precioso foi seu. O meu amor foi todo seu. Não mais todo. Um dia, não mais. Então, me faz um favor! Vá embora de uma vez se não é capaz... De ser do tamanho que eu sou. Vai, me deixe ganhar o mundo e encontrar mais de mim em quem pode, com toda a verdade, me fazer feliz. Se você toma estas palavras como insultos e se isso te faz desistir, é que estou certa! Vá embora com o seu pouco amor. Amor pra mim é grande, não cabe em si. Menos que isso é birra, vaidade, egoísmo. E eu só aceito amor. Sem amor, adeus!