Mas se olharmos bem o que já existe, pondera: Não há porque fugir da realidade, nem porque fincar raízes nela.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Mulher-vinho
Eu digo que és vício vencido
E repito este dito noite adentro
Bebo um pouco do teu vinho
E continuo sedento
Eu digo que estou distraído
Quando estou embebido:
Em teu riso mergulhado
Afogado em teu veneno
Eu digo que não me envolve
Com teu perfume e tuas manhas
Tomo mais um gole de desejo
És do fogo: a lenha e a chama.
Eu digo que não te procuro,
Num (des)encontro, te acho
No brilho fulminante
Da taça de teus olhos escuros
Eu digo, redigo e me flagro
Refém do meu discurso falido
Cedo a todos os teus caprichos
De teu encanto embriagado
Te querer sem ser querido
E te adorar em pensamento
Me torna ainda mais possuído
Por teu viço roxeado e encorpado
És mulher-vinho
Por tua liquidez sou tomado
Nunca mais - Engenheiros Hawaii
Ultimamente tenho tido saudades de escutar Engenheiros do Hawaii... E é impossível não lembrar dessa música:
Nunca mais
Não é o que se pode chamar de uma história original
Mas não importa: é a vida real!
Acordar de madrugada vindo de outro planeta
Sentir-se só;
Uma criança num berço de ouro
E a ferrugem ao seu redor
Os muros da cidade falavam alto demais
Coisas que ela não podia mudar nem suportar
Ela quis voltar para casa
Cansou da violência que ninguém mais via
Viu milhões de fotografias e achou todas iguais
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!
Ofereci abrigo, um lugar para ficar
Ela me olhou como se soubesse desde o início
Que eu também não era dali
E quando sorriu ficou ainda mais bonita
Tinha a força de quem sabe que a hora certa vai chegar
Lágrimas no sorriso, mãe e filha, chuva e sol
Segredos que não podia guardar, e não conseguia contar
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!
Ainda ando pelas mesmas ruas
A cidade cresce e tudo fica cada vez menor
Agora eu sei que a vida não é um jogo de palavras cruzadas
Onde tudo se encaixa
O que será que ela quis dizer?
5 letras, começando com a letra 'A'!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais quero te ver chorar!!!
Nunca mais
Não é o que se pode chamar de uma história original
Mas não importa: é a vida real!
Acordar de madrugada vindo de outro planeta
Sentir-se só;
Uma criança num berço de ouro
E a ferrugem ao seu redor
Os muros da cidade falavam alto demais
Coisas que ela não podia mudar nem suportar
Ela quis voltar para casa
Cansou da violência que ninguém mais via
Viu milhões de fotografias e achou todas iguais
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!
Ofereci abrigo, um lugar para ficar
Ela me olhou como se soubesse desde o início
Que eu também não era dali
E quando sorriu ficou ainda mais bonita
Tinha a força de quem sabe que a hora certa vai chegar
Lágrimas no sorriso, mãe e filha, chuva e sol
Segredos que não podia guardar, e não conseguia contar
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!
Ainda ando pelas mesmas ruas
A cidade cresce e tudo fica cada vez menor
Agora eu sei que a vida não é um jogo de palavras cruzadas
Onde tudo se encaixa
O que será que ela quis dizer?
5 letras, começando com a letra 'A'!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais quero te ver chorar!!!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A casa de Concita
O relógio grande e redondo compassa cada segundo
Bate quatro e meia da madrugada
O galo cantador quem anuncia o novo dia
Nem chegado o sol, já está preparada
De um lado para o outro do quarto andas
Fazendo suas orações, fervorosamente, a pedir
Que cada hora do dia seja abençoada
Que veja os teus ao seu redor a sorrir
No fogão esquenta a água do primeiro bule de café
Passa então pela mesa da cozinha e ajeita a toalha rendada
O vaso de biscoito com as flores de plástico espalhadas
E uma fruteira com banana, goiaba e manga bem-servida
Endireita a foto do artista ao lado do calendário ultrapassado
Na mesma parede que admira a face da figura materna falecida
Beija todas as imagens de São Francisco, Padim Ciço,
Acende velas para Virgem Imaculada e Nossa Senhora Aparecida
Um rádio antigo ligado pra ouvir os ditos de um locutor bem sabido
Um cheiro de alfazema de coisas que se perderam no tempo
Não troco por nenhum templo modernoso enriquecido
A casa decorada de saudade: viver é também reviver tudo que foi vivido.
Viajante
A carroça do mundo
Carrega um segredo
De roda-viver e estrada-morrer
De amor e de medo.
O carroceiro é quem atravessa
Rios e pontes sem perceber
Que o amor-roda o leva à vida
E o medo-estrada o faz morrer
Só quem sabe o que leva no peito
É capaz de compreender o instante
Que o tempo que passa é roda e estrada
E que na vida, somos todos viajantes.
domingo, 10 de julho de 2011
Estória de amor (ir)real
À Macabéa:
- Mais bela de todas as mulheres,
A novidade de tua estrela me trouxe à vida!
Teu Quixote acordado, teu espírito envivecido,
Fez-me de ti, teu escravo.
Por teu sorriso fui vencido.
Tua clareza me cegou
Enxergo agora tudo límpido
Em cada rosto o teu rosto,
[Mas não confundo-te!]
Só teu olhar alumia este louco varrido.
Rogo que me tenhas apreço,
Que tua doçura adoce meu semblante
Pois nada que uma palavra tua não transforme
Esta triste figura, este aprendiz errante,
No cavaleiro mais nobre deste mundo inconstante.
Dragões ou moinhos de vento
Hei de enfrentar bravamente
Resistirei e retornarei utópico-fortalecido
Se a mim for concebido o presente
De ser teu cavaleiro – me deixa te amar para sempre?
Ao Cavaleiro:
Chegaste e trouxeste contigo
O sol para minha noite sem fim
Teu ofício de cavaleiro nobre,
[Eu sei, não existe!]
Porém, livraste-me do esquecimento ao olhar para mim.
Não sei que beleza enxergaste
Nesta alma 'esperante' e
Na minha figura-tão-triste-assim
Só sei que as flores desabrocham
E tuas palavras perfumam meu jardim
Por isto, Cavaleiro, não me digas mais nada!
Já estou, por demais, convencida:
Se é sonho não quero acordar,
Pois só serei feliz nesta vida
Se em teu amor galopar.
Assim respondo ao teu pedido:
- Em teu cavalo de utopia, venha me buscar, Cavaleiro!
Minha hora só há de chegar
Minha estrela só há de brilhar
Se teu amor me for eterno e inteiro.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Reflexões amorosas...
De mãos dadas com um desconhecido íntimo
Percebi que a solidão é a saudade de quem caminha ao meu lado.
***************************************************
Chega de amor-desculpa
amor-rotina-decadente
Quero amor-fogo-gasolina
Meu amor, amor, é amor-urgente!
****************************************************
Quando alguém desiste de lutar
é que não se tem espírito vencedor
ou não se tem vontade de ganhar.
Amor
Eu não quero flores,
quero perfume,
primavera.
Eu não quero lua e estrelas,
quero o brilho delas,
o céu.
O que eu quero não tem verso,
nem rima, nem tamanho e cor.
O que eu quero tem nome,
Cheiro e sabor.
Chamam de insesatez,
loucura e tolice.
Eu chamo AMOR.
quero perfume,
primavera.
Eu não quero lua e estrelas,
quero o brilho delas,
o céu.
O que eu quero não tem verso,
nem rima, nem tamanho e cor.
O que eu quero tem nome,
Cheiro e sabor.
Chamam de insesatez,
loucura e tolice.
Eu chamo AMOR.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Aventuras Fantásticas Calvinêscas - Parte I
Minha amiga Jemima do http://floreseflechas.blogspot.com/ (que eu super recomendo) iniciou uma Jornada Literária (na qual se dedicitará ao hábito da leitura e compartilhará seus encamentos literários com os leitores de seu blog. Pois bem, ela me fez repensar minha condição de leitora - resolvi também iniciar uma aventura destas...
Numa vida corrida a gente muitas vezes deixa de se presentear com coisas que gostamos de fazer devido ao tempo. Por esta razão, me darei de presente o tempo - Ainda não jogarei tudo pro alto, ainda... - Mas me darei um tempo para me dedicar à coisa que tanto me dá prazer: leitura.
Não que não faça minhas leituras dentro dos ônibus, antes de dormir, aos domingos pela manhã... Mas é que essas brechas de tempo não me dão a satisfação de mergulhar na história que me é contada. Então eu disse a mim mesma: - 'Quer saber? Vamos (eu e eu mesma) organizar esse tempo! Por que deixar em segundo plano algo que me faz tão feliz? A vida é só uma, e ler é uma das formas mais saborosas de viver. Vamos à leitura!'
Aí veio a pergunta que não queria calar: quem, o que ler?
Estava eu na casa de um amigo quando ele me (re)apresentou ao Ítalo Calvino - que eu já conhecia de ouvir falar, acho que já tinha lido um de seus contos, e visto a adaptação de um de seus livros num espetáculo de teatro - mas nunca tinha me dado conta do quanto sua obra é fantástica (literalmente) e isso me fascinou. Foi amor à segunda vista quando meu amigo leu para mim: O homem que era honesto da obra 'Um general na biblioteca' (IC) - que resumidamente eu conto aqui - a história de um país em que todos eram ladrões:
À noite, cada habitante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa do vizinho. Voltava de madrugada, carregado, e encontrava a sua casa roubada. E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava do outro, e este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último, que roubava o primeiro.
Numa vida corrida a gente muitas vezes deixa de se presentear com coisas que gostamos de fazer devido ao tempo. Por esta razão, me darei de presente o tempo - Ainda não jogarei tudo pro alto, ainda... - Mas me darei um tempo para me dedicar à coisa que tanto me dá prazer: leitura.
Não que não faça minhas leituras dentro dos ônibus, antes de dormir, aos domingos pela manhã... Mas é que essas brechas de tempo não me dão a satisfação de mergulhar na história que me é contada. Então eu disse a mim mesma: - 'Quer saber? Vamos (eu e eu mesma) organizar esse tempo! Por que deixar em segundo plano algo que me faz tão feliz? A vida é só uma, e ler é uma das formas mais saborosas de viver. Vamos à leitura!'
Aí veio a pergunta que não queria calar: quem, o que ler?
Estava eu na casa de um amigo quando ele me (re)apresentou ao Ítalo Calvino - que eu já conhecia de ouvir falar, acho que já tinha lido um de seus contos, e visto a adaptação de um de seus livros num espetáculo de teatro - mas nunca tinha me dado conta do quanto sua obra é fantástica (literalmente) e isso me fascinou. Foi amor à segunda vista quando meu amigo leu para mim: O homem que era honesto da obra 'Um general na biblioteca' (IC) - que resumidamente eu conto aqui - a história de um país em que todos eram ladrões:
À noite, cada habitante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa do vizinho. Voltava de madrugada, carregado, e encontrava a sua casa roubada. E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava do outro, e este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último, que roubava o primeiro.
E assim o país prosperava, e tudo seguia normalmente até que apareceu um sujeito honesto, e a crise se instaurou: foi preciso fazê-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, não era essa uma boa razão para não deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma família que não comia no dia seguinte.
Os mais ricos passaram a pagar aos mais pobres para roubarem em seu lugar, e pegaram os ainda mais pobres que os pobres ainda para defender seu patrimônio contra os menos pobres. E assim criaram o salário, a polícia e as prisões.
Ao final, já não se falava mais em roubar ou não roubar, mas em ricos e pobres. O honesto, coitado, já tinha morrido de fome há muito tempo...
'Um General na biblioteca' - contos; 'O cavaleiro inexistente', 'O visconde partido ao meio' e 'O barão nas árvores' - trilogia romance fantástico - são minhas prioridades no momento.
Com água na boca do pensamento estou devorando o que encontro deste autor - descobridor do fantástico no real: que foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX. Nascido em Cuba, de pais italianos, sua família retornou à Itália logo após seu nascimento. Formado em Letras, participou da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e foi membro do Partido Comunista Italiano.
'Um General na biblioteca' - contos; 'O cavaleiro inexistente', 'O visconde partido ao meio' e 'O barão nas árvores' - trilogia romance fantástico - são minhas prioridades no momento.
Começarei as leitura hoje, e em breve postarei minhas Aventuras Fantásticas Calvinêscas!
É essa menina que me sinto hoje:
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Despedaçada
Se doença, qual o remédio que cura?
Se morte, qual o consolo que acalma?
Qual a palavra que fere ou mata?
Que pode adoçar a amagura?
Que sorte terá toda a sorte que tem
Se não nos restar nada?
Verdade, respeito e gratidão
Na mesma balança, bem medida e bem pesada.
Sair com lucro é sair com vida:
Se fores, eu flor!
Dessa paixão despedaçada.
Se morte, qual o consolo que acalma?
Qual a palavra que fere ou mata?
Que pode adoçar a amagura?
Que sorte terá toda a sorte que tem
Se não nos restar nada?
Verdade, respeito e gratidão
Na mesma balança, bem medida e bem pesada.
Sair com lucro é sair com vida:
Se fores, eu flor!
Dessa paixão despedaçada.
Coração Valente
O meu coração andarilho tem calos
De quem andou caminhos espinhosos.
Bate porque tem que bater,
mas como está cansado...
De andar sobre o solo rachado
E de se alimentar das migalhas que dão...
Bate porque tem que bater
Raquítico coração
Quando encontrará lugar seguro
E repouso reconfortante?
Bate porque tem que bater
Este coração retirante
Não foge da condição de amar
Por onde passa joga semente
Coração agricultor de gente
"- Flor do amor, hás de vingar e nascer!"
Êta coração teimoso,
Combatente resistente,
Antes de tudo, um forte
Meu Coração Valente
É como se diz na canção
Ainda que bata só por bater
Um legítimo bravo coração
Desiste nem na hora de morrer
De quem andou caminhos espinhosos.
Bate porque tem que bater,
mas como está cansado...
De andar sobre o solo rachado
E de se alimentar das migalhas que dão...
Bate porque tem que bater
Raquítico coração
Quando encontrará lugar seguro
E repouso reconfortante?
Bate porque tem que bater
Este coração retirante
Não foge da condição de amar
Por onde passa joga semente
Coração agricultor de gente
"- Flor do amor, hás de vingar e nascer!"
Êta coração teimoso,
Combatente resistente,
Antes de tudo, um forte
Meu Coração Valente
É como se diz na canção
Ainda que bata só por bater
Um legítimo bravo coração
Desiste nem na hora de morrer
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