segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Carta I


Ao amor ocupado:
Que saudades eu tenho de quando você me escrevia... Hoje, quando da sua distância, por causa das suas tantas tarefas, eu me valho dos papéis antigos escritos com suas letras ‘garranchais’ que me contavam coisas bonitas e coisas banais, e me sinto afagada por tão boas lembranças – como estivesse em uma tarde de um dia qualquer, parecendo domingo, deitada em teu colo em algum canto de Guaramiranga: sorrindo com um vento gostoso a tocar nossos corpos e nossas almas – do que vivemos e pela esperança de vivermos outros momentos inesquecíveis (como a sensação que te descrevo).
Eu sei: nem você é mais este menino, eu, já não, a mesma menina, nem o nosso amor é o mesmo – crescemos todos: somos adultos. Mas o amor fica velho? Pergunto. Precisa ele (o amor) perder o brilho adolescente da descoberta e o calor do desejo? Precisa o amor ter o mesmo tempo do tempo que corre? Existe uma fórmula para manter o sentimento - que une duas pessoas - sempre ‘em forma’? Em ‘forma’ de quê mesmo?
Não quero um amor caduco e cheio de razões de ser. Quero um amor que simplesmente não traga em si motivos, mas, necessidades de existir. Eu preciso de um amor fora do tempo real, sem ‘forma’, intenso, multicolor, com gosto de pudim-doce de leite, e sensações das mais diversas, porque é para isto que existe o amor - para colorir, dar gosto, para transcender tudo o que é: “O amor é a força mais potente e mais sutil que há no mundo” (Gandhi).
             Vamos rebuscar o amor feliz e jovem que guardamos nas gavetas e caixas de lembranças.

4 comentários:

Mima disse...

O amor não fica velho, nem morre. Nós é que não sabemos carregar sempre essa criança dentro de nós.
Amar não é poder dizer que conhecemos o amor. Amar é, como uma mãe que consegue abrigar um bebê no ventre, conseguir abrigar o amor-bebê no coração, por muito mais do que alguns meses - mas por toda a vida - cuidando dele e zelando por sua existência, alimentando-o bem, exercitando-o, cantando pra ele... E entendendo que o tempo passa e as rugas aparecem, mas ainda teremos uma criança no peito precisando de nossos cuidados paternos.

Linda a frase de Gandhi. (Eu reparei agora que o título tbm é Carta! rsrsrs)

Beijo, flor de laranjeira.

Verso Aberto disse...

o destino faz com que todo tempo do mundo corra - conosco - para nos levar até aquele único momento, de onde nunca deveríamos ter saído

sentimento assim, Macabea, é atemporal

abs amiga

Macabea de La Mancha disse...

Mima, nós não sabemos, ou sabemos meio torto, levar o amor cirança dentro da gente, né?

É verdade, pura verdade, amigo Pizzano! Obrigada pelo seu olhar generesoso, viu?

Beijão nôcês!

tertia disse...

Poxa, chorei!

Agora mesmo vivo um amor solitário cheio de urgência de ser vivido e esse amor não tem tempo nem lugar pra mim:eu não caibo na vida dele! Suspeito que nunca vou caber, quando percebo isso é quando me dou ao luxo de viver instantes roubados. Alguns segundos de intensa felicidade e paixão que se derrama na pressa de alguma madrugada qualquer e depois o nada a me aprisionar pelo restante dos dias, meses a esperar pra que então... uma outra vez! É um amor sem cobrança(não tenho coragem de cobra-lo, nem as promessas feitas de horas no telefone e de e-mails extensos), sem expectativa, sem planos, na maior parte do tempo só ausência... E tudo que quero é viver "a sorte de um amor tranquilo", um amor rotina, aquele amor de dias que a gente reclama por achar que não existe mais amor. Esse amor de sangue e sal que só cede quando o corpo não aguenta mais, é fogo, é bom, mas doi muito na alma, arranca pedaços. Até quando? Não sei...