sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Divisão de classes



Gato na varanda

Da casa do ipê cor de rosa
Nunca vi mais dengo, mais prosa
A moça debruçada na janela
Enquanto o operário descia a ladeira.

Trabalho árduo até às seis
Quando a lua e a menina mais uma vez
Ficam na varanda
Com olhos que acompanham
Cada passo que ele dá.

A distância da lua à Terra
Parece ser a mesma da janela pra rua
Por que não desce as escadas?
Por que não sobe a ladeira?

Tem mais pedras e percalço
Entre a casa do primeiro andar
E o casebre no alto do morro
Do que se possa imaginar...

Tem mais servidão à ordem das coisas
Do que à condição de amar!
Dentro dos corações impera:

Cada moça em sua janela,
Cada operário em seu lugar!

Por quê?

4 comentários:

Aline Barra disse...

Por quê?? ...
:[

Mima disse...

Eu também não sei...

Por quê?

[esse é um típico poema seu - perto e distante de quem se é. Existiria um típico poema seu?]

Um beijo, flor do campo.

Mima.

Macabea de La Mancha disse...

Penso muito nisso, Mima: existiria um típico poema meu?!
Só o tempo dirá...

Um abraço muito carinhoso à uma jardineira linda!

bjo

... disse...

Por quê?

Fico impressionada com a sensibilidade sua poesia. Esse poema é lindo demais!!

Parabéns Macabéa!